O barato da esperança

Imagem ilustrativa de “O bêbado e a equilibrista”

“Um expresso e um pão de queijo com requeijão na saída, por favor. Isso. Aquele que fica uma casquinha e cima e cremoso embaixo”. Um pouco antes: “Ai, muito obrigada! Viva o Sus, o trabalho de vocês é maravilhoso”.

“Quantos livros vendeu? Três? Ah, deixei dez aqui na banca. Tá ótimo, quase metade!”

Pensamento à mil: vou chamar o Alê para fazer um programa de rádio sobre o Clube da Esquina. É tão lindo, amo tanto. Que saudades de Minas Gerais. Quero escrever mais também, terminar de assistir Interestelar, aliás, que roteiro maravilhoso!

O edital do ProAC vai virar, tenho certeza. É tudo tão maravilhoso, que é impossível não rolar. Amém. Saravá. Shalom. Tá tudo dando certo. Já deu. Já é.

Vou emplacar um artigo do chefe no UOL. Vou marcar um churrasco. Hoje, não vou treinar, não. Vou levar aquelas roupas para doação. Organizar as meias.

Como será que está o Zé? Será que tá bem? Faz 12 anos que não falo com ele, vou mandar uma mensagem pedindo desculpa pelo meu mal jeito.

Ah também vou ligar para aquela ex-diretora do trabalho. Aquela desgraça. Vou falar tudo que acho dela. Ah, vou nada. Quero mais é montar aquela maquete de Formula 1 com meu filho, mandar mensagem nos grupos de amigos, “botar água no feijão, que eu tô voltando”.

Hoje eu nem consigo trabalhar. Mas, que euforia, né. O que eu tomei? Uma dose de esperança. 1 ano e meio depois daquele março de 2020 que não acabou, meio milhão de mortos — bem mais contando com a subnotificação— por Covid-19, amigos que perderam familiares, amigos que tentam se recuperar, o país despedaçado, finalmente eu me vacinei contra vírus “filho p*&%$#”.

Vacinar, nesse contexto, trás um monte de emoções atropeladas e uma sensação de que a “vida está voltando”, sem tantas preocupações e medos.

Embora, ainda sigamos doentes, pelos tempos que os efeitos da pandemia e do “verme” na presidência perdurarem, hoje, vou curtir o barato da vacina e da esperança, que ainda que equilibrista, deve (r)existir.

Jornalista. Por aqui: crônicas, uns reviews, alguns textos sobre músicas e mais desabafos. Enfim, um lugar para escrever.

Jornalista. Por aqui: crônicas, uns reviews, alguns textos sobre músicas e mais desabafos. Enfim, um lugar para escrever.