January Blues

Ninguém pode dizer com absoluta certeza se são o clima frio no hemisfério Norte e falta da luz do dia as causas da chamada January Blues, uma melancolia que bate no início do ano, pós ressaca de Ano Novo. Não é absoluta certeza, porque ela costuma dar as caras aqui na parte sul do mundo, mesmo sendo verão, com o sol na cabeça.

Pessoalmente, para mim, janeiro não costuma ser dos melhores meses, desde que perdeu o caráter “férias”. Faz tempo, hein.

Um misto de pós-euforia, as coisas -obviamente- não se transformaram entre os dias 31.12 e 01.01, metas e planos que você-já-sabe que são mais fáceis de falar do que de fazer, além da volta ao trabalho quase que coletiva pós- recesso, é de mexer com os nervos mesmo.

O negócio da depressão sazonal ficou mais sério com uma teoria e equação para evidenciar: na terceira segunda-feira do ano, temos Blue Monday, a chamada “segunda-feira mais triste do mundo”.

A data foi divulgada pelo canal de TV britânico Sky Travel, há alguns anos, e levou em conta os fatores citados acima e mais algumas, como estar enclausurado em casa por conta do inverno.

O negócio não é achismo, simplesmente, eles chegaram ao marco preciso da data, por meio de uma equação, [W+(D-d)]xTQ/MxNA , levando em consideração o clima, dívidas, salário , tempo desde o Natal, motivação e atitude.

O canal Sky Travel, então, dá diversas dicas para contornar a tristeza da data, incluindo marcar férias e viajar, é claro. O mercado sempre vendendo soluções, aos problemas que ele próprio cria.

Na Inglaterra, essa segunda-feira costuma mas marcar recordes de falta no trabalho, indicando que o negócio pega mesmo.

Mas antes de ser uma tristeza para inglês ver, o Brasil também tem sua “January Blues” decretada, porém em agosto (“agosto, mês do desgosto). E já foi contado pelo escritor Caio Fernando de Abreu na crônica Para atravessar agosto. Talvez pelo vento frio, pela escuridão dos dias e por ser um mês que parece eterno. Além de ter registrado fatos históricos tristes como a catástrofe causada pela bomba Hiroshima e suicídio do presidente Getúlio Vargas, por exemplo.

Porém, o Brasil vem sofrendo com a tristeza de janeiro, desde 2019, mais precisamente. Quando entramos nesse espiral de iminência de notícias ruins ou horríveis.

Em 2022, dessa vez, o janeiro veio mais blues do que nunca: uma chuva intermitente que deixa tudo mais cinza, e as tempestade já previstas causando desastres, negacionistas insistindo em teorias falsas, atrasos para desenrolar a vacina para as crianças, explosões de casos, hospitais lotando, como um prelúdio de mais “Tsunami” da Covid-19 no Brasil, repetindo os horrores de 2021.

Somado a isso, facínoras seguem fazendo declarações, criando mais caos, sem soluções para o Brasil.

Espero que 2022 caminhe de uma forma que o início de 2023 seja menos blues.

Jornalista. Por aqui: crônicas, uns reviews, alguns textos sobre músicas e mais desabafos. Enfim, um lugar para escrever.

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