Dia dos Mortos na Pandemia

Todo Dia de Finados chove. Nesse de 2020 não foi diferente. Essa data criada para render homenagens a quem morreu, em que os vivos deveriam reservar para rezar para que as almas passassem do purgatório “ em paz” rumo ao paraíso, isso lá pelos anos 900 na Europa, virou tendência no mundo todo, e é feriado até hoje.

O Dia do Finados também é sequencia estratégica à data de celebração do Halloween, criando uma sequencia de dias de espantar energias ruins, celebrar colheitas, festas de fantasias e programação dedicadas ao terror. Mas isso é tema para um outro texto, bem mais longo e que requer uma pesquisa bem mais profunda.

Esse 2 de novembro talvez tenha uma relevância diferente, já que passamos por mais de sete meses em que o tema da morte esteve mais na “sala de jantar” do que nunca. Ela é a linha do gráfico que aponta para cima, em desespero, e para baixo, em comemoração, ainda que hoje tenha marcado “apenas” 419 ( só de COVID-19), em um país que já teve diariamente mais de 1200, por mais de um mês. E esses 419 são pessoas, histórias interrompidas, família, amigos de alguém e não são apenas números de alguém suscetível a mais do que outros ou uma fatalidade.

Nesse dia 2 de novembro as orações para esvaziar o purgatório são imensas. Encabuladas. Teve gente que mal teve tempo de se despedir dos seus queridos, teve gente que perdeu muitos de uma vez e segue contando as perdas. Tem gente que sofre com as perdas e com o medo do futuro.

A morte em 2020 nunca foi tão subjetiva. O finado continuará sendo a alma que se vai e deixa toda saudade.

Jornalista. Por aqui: crônicas, uns reviews, alguns textos sobre músicas e mais desabafos. Enfim, um lugar para escrever.

Jornalista. Por aqui: crônicas, uns reviews, alguns textos sobre músicas e mais desabafos. Enfim, um lugar para escrever.