Sara Puerta

Tem gente que é tão linda que parece o céu azul de outono.

Tem gente que quando chega, traz uma sensação tão boa, que parece brisa do mês de maio.

Tem gente que nos acalma como um feriado de Páscoa.

Tem gente que é tipo o pôr do sol em um céu cor-de-rosa. E é como se tocasse La vie en Rose de fundo. E tudo fizesse sentido.

Tem gente que traz boas-novas, colheitas, quase o anúncio de um tempo bom que tudo vai melhorar.

Tem gente que tem luz e escuridão numa mesma proporção, que é quase a perfeição. Afinal, eu jamais confiaria ou aguentaria por muito tempo alguém que se diz “pura luz”.

Tem gente que, sem falar nada, nos convida a acalmar, a diminuir o ritmo, a sentir o vento, a aproveitar os dias, olhar estrelas à noite.

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São as pedras de março fechando o verão.

Antes eram temporais. Bem antes eram chuvas pesadas que serviam de poesia.

Falando na linguagem mística, as águas de março poderiam ser o símbolo das emoções que extravasam na temporada pisciana do mapa astrológico. Faz um pouco de sentido. Bem pouco, talvez.

Mas, desde aquele fatídico mês de março de 2020, nada foi como antes. Virou tormenta. De emotivo passou a ser desespero.

Quem você era em março de 2020 e quem você é hoje, dois anos de pandemia e essa guerra, que está aí, depois? O que sobrou do que era? Quem você se tornou?

Pela terceira vez seguida, o mês vem com cara de apocalipse, preocupação e exaustão.

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O sintoma da Covid-19 que mais o assustou foi a inesperada sensação -que descreveu como maravilhosa- de estar durante 15 dias isolado de todos. Pela primeira vez, em mais de 30 anos, sentiu que estava em paz.

Depois da experiência resolveu apagar a conta no Instagram e do Facebook. Gostou muito da ideia de estar alheio e distante.

Começou a dormir melhor. Meses depois ainda diz que tem alguns sintomas da doença: “É uma tal de Covid longa que chama. Não tenho ideia de quando acaba”.

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Sara Puerta

Sara Puerta

Jornalista. Por aqui: crônicas, uns reviews, alguns textos sobre músicas e mais desabafos. Enfim, um lugar para escrever.